Publicação Contínua
Qualis Capes Quadriênio 2017-2020 - B1 em medicina I, II e III, saúde coletiva
Versão on-line ISSN: 1806-9804
Versão impressa ISSN: 1519-3829

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EDITORIAL


Acesso aberto Revisado por pares
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Uma nova fase editorial para a Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil

Melania Maria Ramos de Amorim1,2

DOI: 10.1590/1806-9304202600000004 e20260004

A partir de 2026, a Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil (RBSMI) inicia uma nova fase editorial. Assumo a função de Editora-Chefe com um mandato institucional claramente definido: fortalecer o rigor científico, a consistência editorial e a governança da revista, ao mesmo tempo em que se preserva seu compromisso histórico com a produção e a difusão do conhecimento em saúde materno-infantil no Brasil e na América Latina.

Ao longo de sua trajetória, a RBSMI consolidou-se como periódico de referência regional, com papel relevante na divulgação de estudos voltados à prática clínica, à saúde coletiva, à organização dos serviços e à formulação de políticas públicas. O desafio que se apresenta neste momento não é o da relevância temática, tampouco o da inexistência de produção científica qualificada. Trata-se, antes, do desafio da consolidação editorial em um cenário internacional cada vez mais exigente, no qual qualidade científica, transparência e sustentabilidade institucional constituem critérios centrais de credibilidade.1,2

A editoração científica contemporânea exige padrões explícitos, consistentes e verificáveis. Não basta publicar bons trabalhos de forma pontual; é necessário reduzir a variabilidade da qualidade média, assegurar coerência metodológica, aplicar critérios editoriais de maneira uniforme e proteger o processo de revisão por pares como instrumento científico qualificado.1 Nesse contexto, a reestruturação editorial atualmente em curso na RBSMI baseia-se em diagnóstico técnico realista e em alinhamento deliberado com boas práticas internacionais de publicação científica.2

O eixo central desse processo não é o aumento do volume de publicações, mas a elevação consistente do padrão científico do que é publicado. Isso implica triagem editorial mais robusta, definição clara de prioridades metodológicas, valorização de desenhos de estudo com maior capacidade de informar a decisão clínica e a formulação de políticas de saúde, além da restrição deliberada de formatos que oferecem baixo retorno científico para o projeto editorial da revista. A institucionalização de critérios objetivos, a formalização da editoria estatística e a exigência sistemática de diretrizes internacionais de relato integram esse movimento.1,2

Como parte desse esforço de qualificação editorial, a RBSMI passa a adotar, a partir de 2026, editoriais periódicos de curadoria científica, em consonância com o modelo de publicação em fluxo contínuo. Esses editoriais terão como finalidade comentar criticamente os artigos de maior relevância publicados em cada período, destacar contribuições metodológicas e científicas de maior impacto e oferecer ao leitor uma leitura integrada da produção recente da revista, reforçando o papel do periódico como agente ativo de interpretação e mediação do conhecimento científico.

Durante a finalização deste editorial, a RBSMI recebeu a notícia do falecimento de seu primeiro Editor-Chefe, o Professor José Eulálio Cabral Filho. Embora esta gestão não o suceda diretamente, sua atuação inaugural foi decisiva para a construção do projeto editorial da revista. Neste número, a RBSMI publica também o obituário do Professor Eulálio, como registro institucional de sua trajetória e de sua contribuição à saúde materno-infantil e à formação acadêmica no país. Para seus ex-alunos e colegas de docência, o “Professor Eulálio” permanece como referência ética, intelectual e humana, exemplo e inspiração duradouros. Entre a alegria de um novo ciclo e a tristeza da perda, reafirma-se o compromisso de seguir o caminho que ele ajudou a iniciar, com seriedade, rigor e respeito à ciência.

A dimensão ética permanece como eixo central da atuação editorial da RBSMI. A revista reafirma que pesquisas envolvendo seres humanos ou dados de seres humanos — inclusive bases secundárias e reanálises — devem ser submetidas à apreciação por instância ética competente, em consonância com princípios éticos internacionais amplamente reconhecidos.3 A explicitação do Princípio da Avaliação Ética Universal nas políticas editoriais consolida práticas já adotadas, reforçando a proteção dos participantes, a integridade científica e a responsabilidade institucional da revista.1,3

Essa reestruturação também se orienta para o fortalecimento da inserção internacional da revista. A internacionalização é entendida como desdobramento natural da qualidade científica e da consistência editorial, e não como objetivo superficial ou meramente formal. O uso do inglês como idioma de circulação científica, a ampliação qualificada do corpo editorial e do banco de revisores internacionais e a organização de números temáticos de relevância global compõem uma estratégia voltada a ampliar a visibilidade e o impacto dos artigos publicados, preservando o compromisso da RBSMI com sua missão regional.3

A transição editorial não representa ruptura com a história da revista. Ao contrário, apoia-se em sua trajetória e a projeta para um novo patamar de maturidade institucional. O objetivo não é descaracterizar a RBSMI, mas fortalecer sua identidade como periódico comprometido com rigor metodológico, responsabilidade ética, transparência editorial e impacto da ciência publicada.1,2

O êxito dessa nova fase dependerá de esforço coletivo. Dependerá de autores comprometidos com qualidade metodológica e consistência interpretativa; de revisores dispostos a exercer a revisão por pares como atividade científica responsável e construtiva; de editores alinhados a critérios compartilhados; e de instituições que reconheçam a excelência editorial como bem público e investimento estratégico.

A Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil reafirma, assim, seu compromisso com a integridade científica, a ética, a profissionalização da editoração e a relevância social do conhecimento produzido. Inicia-se aqui um novo capítulo, marcado por definição de propósitos, fortalecimento institucional e confiança na ciência de qualidade como fundamento para o avanço da saúde materno-infantil.

Referências

1. International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE). Recommendations for the Conduct, Reporting, Editing, and Publication of a Scholarly Work in Medical Journals. Updated April 2025. [acesso em 2026 Jan 5]. Disponível em: https://www.icmje.org/icmje-recommendations.pdf

2. Committee on Publication Ethics (COPE); Directory of Open Access Journals (DOAJ); Open Access Scholarly Publishing Association (OASPA); World Association of Medical Editors (WAME). Principles of transparency and best practice in scholarly publishing. Version 4.0; 2022. [Internet]. [acesso em 2026 Jan 5]. Disponível em: https://wame.org/principles-of-transparency-and-best-practice-in-scholarly-publishing

3. World Medical Association (WMA). WMA Declaration of Helsinki – Ethical Principles for Medical Research involving Human Participants. By 75th WMA General Assembly, Helsinki, Finland; October 2024. [Internet]. [acesso em 2026 Jan 5]. Disponível em: https://www.wma.net/policies-post/wma-declaration-of-helsinki/

Editora Chefe: Melania Amorim

Recebido em 3 de Janeiro de 2026
Aprovado em 6 de Janeiro de 2026


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